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CGD COM PREJUÍZOS DE 8,9 MILHÕES
2015-05-21
ECONÓMICO

21 Mai 2015 - Maria Teixeira Alves

A Caixa Geral de Depósitos passou de lucros a prejuízos no primeiro trimestre. Mas se ajustado à alteração do grupo, que este ano vendeu as seguradoras, os prejuízos melhoraram.

No fim de Março a CGD registou prejuízos consolidados que comparam com lucros no trimestre homólogo de 22,4 milhões. Mas ajustado de modo a reflectir nessa data a actual percentagem das seguradoras, verifica-se que os prejuízos até melhoram 1,9 milhões.

A Caixa Geral de Depósitos vendeu a maioria das suas companhias de seguros e isso levou os resultados consolidados para terreno negativo no primeiro trimestre.

O Banco do Estado registou prejuízos de 8,9 milhões de euros no primeiro trimestre o que compara com lucros no trimestre homólogo de 22,4 milhões de euros. Mas ajustado de modo a reflectir em Março de 2014 a actual percentagem das seguradoras, isto é, 15% da Fidelidade e 20% da Multicare e Cares, de modo a ser comparável, verifica-se que o resultado líquido consolidado da CGD no 1º trimestre de 2015 melhorou 1,9 milhões de euros face ao período homólogo do ano anterior (que teria apresentado prejuízo de 10,7 milhões) para 8,9 milhões de euros negativos, incluindo o impacto do tratamento fiscal das provisões para crédito temporariamente não dedutíveis.

O ROE, rácio que mede a rentabilidade dos capitais próprios, foi de 3,7%, melhor do que os 2,9% registado no trimestre homólogo do ano anterior.

Ao nível da actividade, a margem financeira da CGD cresceu 10,5% face ao trimestre homólogo de 2014. Apesar da trajectória descendente das taxas Euribor, proporcionou um crescimento homólogo de 24,5 milhões de euros da margem financeira a qual beneficiou assim de uma diminuição do custo de financiamento superior à redução sentida nos proveitos de operações activas.

Se incluirmos o rendimento capital, por exemplo aplicações em fundos, dividendos, etc, o crescimento da margem variou num ano 15,5%

Os Resultados em operações financeiras somaram 94 milhões de euros no final do 1º trimestre, comparativamente a 118,8 milhões em igual período do ano anterior, beneficiando do bom comportamento do mercado de dívida pública num contexto de descida acentuada das taxas de juro. Este item é normalmente não recorrente.

As Comissões líquidas atingiram 126,3 milhões de euros, montante muito próximo do observado no trimestre homólogo de 2014 (-0,2%).

Desta forma, o Produto bancário alcançou 497 milhões de euros neste período, uma evolução positiva de 2,8% face ao 1º trimestre de 2014.

O aumento de 7,6% dos custos com pessoal, que cresceram 13,3 milhões de euros face ao período homólogo do ano anterior, reflectindo o decréscimo acentuado da taxa de desconto de responsabilidades com pensões e a dinâmica de expansão da actividade internacional do Grupo, com alargamento de rede de agências e reforço dos quadros, sobretudo das filiais BCI Moçambique (abertura de 34 novas agências entre Março de 2014 e Março de 2015 e recrutamento de 450 novos colaboradores) e o Banco Caixa Totta de Angola (mais 7 agências), foi responsável pela subida de 6,6% dos custos operativos que registaram um aumento homólogo de 19,8 milhões de euros.

Não é por isso o banco mais eficiente de sistema. O cost-to-income situou-se em 64,3%, valor ligeiramente superior aos 62,1% registados no trimestre homólogo de 2014.

O balanço consolidado da CGD reduziu-se no 1º trimestre de 2015, quando comparado com o trimestre homólogo de 2014, em cerca de 11.808 milhões de euros (-10,5%), essencialmente devido à venda ocorrida do negócio de seguros (80% em Maio de 2014 e 5% adicionais em Janeiro de 2015).

Em termos de balanço ainda, a carteira de crédito a clientes, incluindo créditos com acordo de recompra, atingiu um valor bruto de 72.480 milhões de euros, tendo-se reduzido em 1.208 milhões de euros (-1,6% face a Março de 2014), dos quais 1.253 milhões dizem respeito ao impacto líquido do crédito à habitação em Portugal, cujo aumento de novas operações (+29,9% face ao período homólogo) não foi suficiente para compensar o vencimento natural da carteira existente.

O apoio à tesouraria do tecido empresarial português foi bem visível no aumento da quota de mercado no crédito a empresas com prazo até 1 ano (18,4% em Fevereiro de 2015).

Os Recursos de clientes variaram positivamente no 1º trimestre de 2015 no montante de 3.509 milhões de euros (+5,3% quando comparados com o 1º trimestre de 2014), atingindo 70.026 milhões de euros.

O rácio de transformação atingiu os 95,9%, refletindo um gap comercial negativo de 2.840 milhões de euros, o que evidencia a robustez da capacidade de captação de recursos de retalho da CGD, expressa no aumento de 3.431 milhões de euros nos Depósitos de clientes.

A redução do custo do risco de crédito para 0,40% (0,90% no 1º trimestre de 2014) foi acompanhada por uma redução do montante de provisões e imparidades que atingiu, no trimestre, 112,9 milhões de euros, ou seja, uma redução de 59 milhões de euros (-34,3%), face aos 171,9 milhões de euros do período homólogo.

Os rácios de crédito em risco e de crédito reestruturado, calculados de acordo com os critérios do Banco de Portugal, situaram-se em 12,4% e 10,5%, respectivamente (12,2% e 10,6% no final de 2014). De referir o efeito penalizador nestes indicadores da redução do saldo da carteira.

Nada é referido em relação às novas entradas líquidas em malparado, o que limita a análise à evolução da qualidade da carteira de crédito.

"Os rácios Common Equity Tier 1 (CET1) phased-in e fully implemented, calculados de acordo com as regras da CRD IV / CRR e considerando a aplicação do regime especial dos activos por impostos diferidos, alcançaram em 31 de Março de 2015, 10,9% e 10,3%, respectivamente, valores que comparam com 11,3% e 9,7% registados um ano antes, reflectindo os actuais valores um fortalecimento dos níveis de solvência da CGD". Refere o comunicado do Banco. "O rácio de leverage fully implemented, calculado de acordo com as regras da CRD IV / CRR, atingiu 6,0%, o que representou uma melhoria face aos 5% verificados em Março de 2014", acrescenta o documento.

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