Domingo, 27 de Maio de 2018

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OS JANTARES DO 25 DE ABRIL EM LISBOA E NO PORTO
2018-04-25

O STEC, em conjunto com a Comissão de Trabalhadores da CGD, juntaram em Lisboa e no Porto, 120 e 55 participantes, respetivamente, para comemorar o 44º aniversário do 25 de ABRIL.


O jantar na Casa do Alentejo, foi animado pelo Cante Alentejano do Grupo Coral da Damaia “Os Alentejanos”, terminando com a “Grândola” cantada em conjunto com todos os participantes.

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Este ano, como a data do nosso jantar coincidiu com o jantar da Associação 25 de Abril, não pudemos contar com a presença de um Militar de Abril. No entanto, a Associação enviou uma mensagem que foi lida, pelo presidente da Direção, João Lopes, que se reproduz.


A intervenção da Comissão de Trabalhadores esteve a cargo de Miguel Dias em Lisboa e de Carla Fernandes no Porto e a intervenção do STEC, que aqui reproduzimos, foi feita por César Miranda em Lisboa e por Joana Rodrigues no Porto.



Intervenção do STEC:

Caras amigas e caros amigos


Em nome da Direção do STEC, saudamos a vossa presença e saudamos a vossa resistência. Resistência, pela perseverança e determinação com que, mais uma vez, aqui estamos a comemorar o 25 de Abril de 1974! O dia da libertação do fascismo! O dia da liberdade!


Já lá vão 44 anos! Uma vida! E aqueles que ao longo destes anos se continuam a reunir para festejar o 25 de Abril, só podem querer com isso mostrar quanto esta data os marcou e quanto lhe devem!


Todos os anos, muitos daqueles que connosco viveram a alegria do 25 de Abril, vão desaparecendo, porque a lei da vida assim o determina, mas também todos os anos, outros aparecem a tomar o seu lugar e a erguer a bandeira dos ideais de Abril.
Por isso este jantar comemorativo que há mais de 40 anos vimos realizando, mostra bem que o 25 de Abril continua bem vivo e presente no nosso imaginário coletivo.


Este ano, o facto do jantar se realizar precisamente na noite em que há 44 anos tudo aconteceu, tem uma consequência - não permite ter aqui connosco um representante da Associação 25 de Abril, um militar do MFA, um daqueles homens a quem devemos viver hoje em liberdade. Porque é na noite de 24 para 25 de Abril, que os Capitães de Abril se reúnem para comemorar e reviver o seu feito heroico.


Vive-se hoje na Caixa um ambiente de trabalho totalmente diferente do que se vivia, após o 25 de Abril. Nesse tempo, entre os trabalhadores, imperava a solidariedade e o companheirismo. Vivia-se e discutia-se tudo com paixão, sem tabus e sem medo. Estávamos unidos, para defender o 25 de Abril e as conquistas que nos trouxe.


Foi o 25 de Abril que permitiu aos trabalhadores da Caixa criarem as suas próprias estruturas representativas. Foi o 25 de Abril que garantiu o direito à sindicalização. Foi o 25 de Abril que criou condições para a dinamização e para a sustentabilidade dos nossos Serviços Sociais.


Mas passaram-se mais de 40 anos. Outras gerações chegaram à Caixa. Gerações que não viveram nem sentiram, as mudanças que o 25 de Abril trouxe aos trabalhadores. E esta realidade é perversa, porque temos hoje na Caixa milhares de trabalhadores que desconhecem o que foi o 25 de Abril e a importância decisiva que teve nas suas vidas. Gerações que, por isso mesmo, não sabem valorizar os Serviços Sociais ou o Acordo de Empresa que têm. Gerações que vivem na ilusão de que tudo são direitos que sempre existiram e que não podem desaparecer.


Não foi por acaso que um elemento do Governo anterior, se referiu depreciativamente à geração do 25 de Abril, designando-a de “peste grisalha”! Precisamente porque são os “grisalhos” que têm a memória, aquela memória que eles pretendem apagar.


Todos nós, que vivemos o 25 de Abril e que temos consciência do que era trabalhar na Caixa, antes e depois dessa data, temos a responsabilidade de mostrar às novas gerações que tudo o que está a suceder na Caixa, é um retrocesso do 25 de Abril.


E por isso mesmo, temos a responsabilidade de defender o futuro dos nossos Serviços Sociais. A responsabilidade de prestigiar a existência da Comissão de Trabalhadores. A responsabilidade de impedir que o STEC possa ser tomado de assalto, pelo despeito e pela ambição, e ser desvirtuado dos objetivos com que foi criado e que o tornam no Sindicato mais representativo dos trabalhadores da Caixa, detentor de um invejável património e de uma sólida saúde financeira.


E temos esta responsabilidade, pela situação que se vive na Caixa! Pelos objetivos irrealistas que hoje se exigem! Pelas práticas de assédio que se sucedem! Pelas manifestações crescentes do «quero posso e mando»! Pelo desrespeito à dignidade pessoal! Pelas ameaças de represálias e despedimento! Tudo comportamentos que afrontam o 25 de Abril, que afetam a saúde de quem as sofre, que fomentam as depressões e que agridem a nossa autoestima. Querem transformar a Caixa numa “selva”. Aquela “selva” onde “é cada um por si”. A “selva” onde impera a “lei do mais forte”. Querem instaurar o medo na vida na Caixa! Não o vamos permitir!


Como o 25 de Abril mostrou e a canção lembra, o medo não pode tolher a nossa vontade e também sabemos que... mesmo na noite mais triste, em tempo de servidão, há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não.


Por tudo isto, os trabalhadores da Caixa, têm hoje mais razões do que nunca, para comemorar Abril, os seus valores e ideais, as suas conquistas.


Vivam os trabalhadores da Caixa


Viva o 25 de Abril

 



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Mensagem da Associação 25 de Abril


Quando há 44 anos os Capitães de Abril quebraram as correntes da ditadura, resgataram a Liberdade, abriram o caminho ao fim de uma guerra sem sentido e à Paz, e viram o povo português envolver-se profunda e entusiasticamente no processo de reconstrução da felicidade, sentiram-se profundamente realizados na iniciativa a que haviam metido ombros: o sonho de servir o seu povo, ideal maior dos militares, estava a acontecer, a realidade suplantava mesmo os mais ambiciosos sonhos.

A epopeia colectiva viria mesmo a tornar-se um acto único da História Universal, "o dia inicial, inteiro e limpo" onde "emergimos da noite e do silêncio " passaria, como 25 de Abril de 1974, a ser um dos acontecimentos mais significativos da História da luta do Homem pela Liberdade, essência da Felicidade. Porque, como escreveu Sócrates na Grécia antiga, através dos jovens militares aconteceu Coragem, a essência da Liberdade.

Olhando para os 44 anos que entretanto passaram, as portuguesas e os portugueses têm profundas razões para se sentirem orgulhosos do caminho percorrido e dos resultados obtidos: houve, é certo, muitos retrocessos aos avanços entretanto alcançados, muitos sonhos acalentados transformados em desilusões, mas não podemos ignorar que as principais conquistas alcançadas e mantidas suplantam tudo isso e fazem com que Portugal seja hoje um País muito diferente e melhor do que era há 44 anos.


Foi difícil? Certamente, nem sempre se utilizou a Liberdade para tomar as melhores decisões.


A Democracia, cujos incontornáveis fundamentos norteiam a nossa sociedade, mau grado os seus defeitos, teve dificuldade em promover a Justiça, nomeadamente no campo social, os detentores do poder durante a ditadura recuperaram muito desse poder, estiveram mesmo à beira da recuperação total, mas os portugueses souberam , quase à beira do precipício, utilizar a Liberdade, praticar a Democracia e evitar o desastre.
Tivemos a sorte de ter dirigentes que se souberam unir à volta do essencial e, com coragem, esquecer o acessório, em prol do bem coletivo.

Voltámos a dar lições ao Mundo, voltámos a ser respeitados pela comunidade internacional e só não fizemos um novo 25 de Abril, porque este, como único, é irrepetível!


Mas, os inimigos da justiça social não desarmam. Os senhores de todos os poderes, nunca conformados com qualquer perda desses poderes, naturalmente saudosos dos tempos idos, tudo fazem para recuperar privilégios e voltar a colocar a canga em cima dos mais desfavorecidos. A justiça social, que não hesitam em proclamar aos quatro ventos, é por eles espezinhada, se com isso aumentarem as suas contas bancárias. A vertente social do Estado moderno, na qual se baseia a nossa forma de estar no Mundo, é-lhes alheia. Por isso querem lá saber de um Serviço Nacional de Saúde universal e eficiente, querem lá saber de melhores condições num trabalho estabilizado e seguro, querem lá saber da consolidação da Paz no Mundo!


Para eles, o mercado é que manda, o seu deus é o dinheiro, mesmo que para isso seja necessário impor o medo e a guerra.


Lamentavelmente, neste último ano, a natureza tornou-se valioso aliado dessas forças retrógradas. E estas, omitindo as suas anteriores responsabilidades, as notórias incapacidades de que deram mostra quando postas à prova, esgrimiram com oportunistas acusações, amplificando os recentes erros dos atuais responsáveis - muitos desses vindo do passado - num ruidoso alarido, como se não tivessem quaisquer responsabilidades no que acontecia.


Confrontados com tudo isso as recentes iniciativas têm tendido a ultrapassar as enormes dificuldades, até pela mobilização das populações, no sentido de recuperar dos malefícios que os seus antecessores no poder provocaram e evitar que se repitam. O que só será uma realidade se conseguirmos expurgar as práticas corruptas e de compadrio que sem exemplar punição, comprometem e desacreditam a Política e o regime Democrático.


Como sempre afirmámos, Portugal não vive isolado, faz parte de uma comunidade, a europeia, que teima em não sair da posição em que se deixou cair, onde o projeto dos seus fundadores, solidário, fraterno e de Paz é pouco mais que uma miragem.

Assistimos ao reforço dos que teimam em criar ambientes de medo e de tensão, que poderão levar a novos conflitos, previsivelmente mais devastadores que nunca.


Portugal, mantendo a sua natureza de Pais ocidental e fiel às suas alianças, não se deixou inebriar pelo som dos tambores da guerra - quente ou fria, fria ou quente - dando mostra de maturidade, aprendendo com a experiência e não caindo no tremendo erro de repetir o papel de solícito mordomo que, lamentavelmente, protagonizou no ataque ao Iraque.


É um bom sinal, da nossa independência, da nossa soberania!


Saibam os nossos governantes resistir às enormes pressões que os falcões não abdicam de praticar!


Assim, continuando uma política de defesa da justiça social, que se quer cada vez mais efetiva, mantendo a Liberdade e a prática da Democracia nas suas diversas vertentes, que se impõe aprofundar, perseguindo uma política que promova a Paz, cada vez mais periclitante, continuaremos a construção do Portugal de Abril, um Portugal soberano, baseado na dignidade da pessoa humana e na cidadania, com uma sociedade livre, justa e solidária!


Esse continua a ser o nosso ideal, pelo qual não desistiremos de lutar com determinação.
Convictos de que, não desarmando, todas e todos em conjunto, iremos vencer!


Viva o 25 de Abril!


Viva Portugal!


Lisboa, Abril de 2018


A Direção da Associação 25 de Abril

 

 

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