Domingo, 25 de Junho de 2017

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JANTAR COMEMORATIVO DO 25 DE ABRIL NO PORTO E EM LISBOA
2017-05-02

Este ano, para além do Jantar habitual, na Casa do Alentejo em Lisboa, em conjunto com a Comissão de Trabalhadores da CGD, realizou-se também um Jantar comemorativo do 25 de Abril nas instalações da Delegação do STEC no Porto.

Deixamos aqui a intervenção do Vice-Presidente do STEC, Pedro Messias, realizada no Jantar em Lisboa:

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Caras amigas e caros amigos
Em nome da Direção do STEC agradeço e saúdo a vossa presença e por vosso intermédio todos os trabalhadores da CGD.
Uma saudação especial para o representante da Associação 25 de Abril Coronel Santos Coelho e para o Almirante Martins Guerreiro, figura destacada do Movimento das Forças Armadas, que há muitos anos nos dá a honra de estar presente nesta iniciativa.
Comemoramos este ano de 2017, 43 anos do "25/4". 43 anos é quase uma vida.
Na Caixa Geral de Depósitos não há forma de sairmos das notícias de aberturas de todos os órgãos de comunicação escrita, falada e vista, e isto não necessariamente pelas melhores razões.
Da relevância da Caixa Geral de Depósitos permito-me fazer um recuo ao ano de 2012, quando o STEC organizou uma conferência debate subordinada ao tema "VENDER A CAIXA É VENDER PORTUGAL", com a participação de diversas personalidades conhecidas e insuspeitas que falaram sobre a Caixa.
Muita coisa foi dita e, em boa verdade se diga, que grande parte do que foi dito se mantém atual.

Assim, a abrir a conferência, João Lopes, Presidente do STEC, e também hoje aqui presente, traçou em poucas palavras o trajeto da CGD ao dizer "A CGD, foi desde a sua criação em 1876, uma Instituição que granjeou no imaginário coletivo dos portugueses, um prestígio e uma imagem de confiança e respeito que se mistura com a imagem do próprio Estado. Só assim se pode compreender que, tendo nascido na monarquia, atravessasse incólume os tempos conturbados da implantação da 1ª República e os longos anos do Estado Novo e chegado ao 25 de Abril como a Instituição de referência do sistema bancário em Portugal."

Nicolau Santos, diretor adjunto do Expresso que referiu "A Caixa tem sido um dos maiores contribuintes para os cofres do Estado em matéria de impostos. Além disso tem sido uma empresa que tem criado emprego e emprego qualificado e tem tido um importante papel no financiamento da atividade económica. A Caixa é o último grande instrumento que o Estado tem para poder intervir no setor financeiro e também na economia real."

O Padre José Manuel Pereira de Almeida, Professor na Universidade Católica, disse que "a Caixa é uma instituição que tem um lugar especial em Portugal e no coração dos portugueses. Em cada vila, a par da escola, da igreja e da farmácia, encontramos uma agência da Caixa, uma instituição de referência, não comparável a outros bancos."

Mariana Mortágua, Economista, que disse tantas coisas interessantes não só sobre a Caixa mas também relativamente ao mercado financeiro.
Particularmente quanto à Caixa disse então que "a única instituição capaz de fazer serviço público e às ordens do serviço público é a Caixa Geral de Depósitos. O tal banco de fomento (muito falado na altura) deve estar integrado nas funções da Caixa, pode dar crédito ao setor produtivo, à criação de emprego, pode injetar dinheiro na economia quando mais ninguém pode fazê-lo. Um banco privado não dá crédito a uma empresa que vai ser pouco lucrativa, não dá um crédito pouco lucrativo porque a sua estrutura de incentivos só vê lucro. Um banco público, em que a sua estrutura de incentivos também inclua a criação de emprego, desenvolvimento territorial, pode dar crédito a um projeto que não seja altamente lucrativo mas que tenha interesse de outros pontos de vista. E, portanto, há todo o interesse em ter a Caixa no sector público. Aliás, entre 2005 e 2011, ou seja, em anos de crise, a Caixa deu 1.300 milhões de dividendos ao Estado.”

Manuel Carvalho da Silva, sindicalista e atual Investigador da Universidade de Coimbra, referiu a grande importância dos bancos públicos de tal ordem que a generalidade dos países os têm, sendo a Geral de Depósitos a grande referência do sistema bancário, a referência mais sustentável da história. A Caixa tem uma imagem ímpar de credibilidade na população portuguesa, com uma estrutura disseminada por todo o país e isso é extraordinariamente importante. Quanto à criação do tal “banco de fomento a Caixa tem tudo para desempenhar esse papel, melhor do que ninguém."

José Silva Lopes, entretanto falecido, ex-Ministro das Finanças e do Plano e ex-Administrador da CGD, disse ser a favor de uma instituição de crédito pública que esteja obrigada a serviço público e não a serviço de interesses. A Caixa deve fazer algumas operações que a banca não faz, ou porque se recusa a fazer ou porque não as considera suficientemente rentáveis. Quanto ao tal banco de fomento que para aí se fala é uma fantasia, porque realmente o banco de fomento natural é a Caixa. A Caixa é o melhor banco de fomento que se pode imaginar.

Por último, Emílio Rui Vilar, hoje Presidente não executivo do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, que enviou um testemunho escrito onde realçou que a necessidade de intervenção estratégica no setor do crédito revela-se pela insistência com que se tem falado na criação de “banco de Fomento”. Ora ele existe: é a Caixa Geral de Depósitos! Não é preciso reinventar a roda. Quando ouço falar da privatização de património público, como a CGD, ocorre-me o lamento que se atribui a D. João II: “o meu pai só me deixou as estradas do Reino para governar”.

Depois de tudo isto dizer de uma vez por todas, a CGD não é um banco igual aos outros. A CGD além de ser um banco em concorrência com os demais bancos, tem também uma vertente de cariz social. Precisamente pelo papel social que desempenha, o ser um banco público não lhe permite agir do mesmo modo que as outras instituições de crédito privadas.

Por tudo o que já foi aqui dito não se pode concordar com recentes afirmações proferidas de que a Caixa não tem de estar onde os outros bancos não querem estar. Pois precisamente por ser a Caixa é que tem de estar onde mais ninguém quer.

Não se pode fazer um discurso de integração nacional, de aproximação à população do interior, e depois praticar-se a deserção de instituições públicas de referência como é o caso da Caixa Geral de Depósitos.

É um quadro que não deve continuar. É fundamental que a Caixa comece a olhar para dentro.

Rentabilizar a CGD, tem de começar por ganhar os seus trabalhadores e não virar apenas a sua atenção para o fecho de agências e a redução de postos de trabalho. Os trabalhadores não têm culpa do estado a que a instituição chegou. Rentabilizar passa principalmente por não fazer negócios ruinosos.

A reestruturação da CGD tem de passar pelo respeito por todos aqueles que aqui trabalham e que sempre deram tudo pela defesa da imagem da Empresa.

Caros amigos e amigas, são de facto momentos difíceis estes, mas são estes jantares comemorativos do 25 de Abril, estes encontros com a memória, que revestem sinais gratificantes a mostrar que nada está perdido, que o espírito e ideais do 25/4 continuam vivos, que continuamos a acreditar e a transmitir que Abril e os seus valores se vão cumprir, porque têm mesmo de se cumprir e que todos continuamos a contribuir para que se mantenha viva essa chama, tanto para nós como para os vindouros.

Viva o 25 de Abril!
Vivam os trabalhadores da CGD!
Viva Portugal, com um banco público!

 

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